sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Desde quando isso é amor?

É difícil acreditar quando uma pessoa diz que te ama, mas nunca tem uma palavra positiva ou gentil a dizer para você ou sobre você.
Quando tudo o que você ouve são ofensas, humilhações, desdém... Desde quando isso é amor? Como poderia ser? Não importa o quanto a pessoa insista, palavras nunca valerão mais do que ações.
Estou cansado de ser humilhado, maltratado... Acima de tudo, cansado de ser criticado por ações que as mesmas pessoas cometem, de maneira muito pior e com muito mais frequência. As pessoas ao meu redor exigem de mim tanto a perfeição absoluta quanto a compreensão absoluta.
Não somente nenhum dos meus erros pode ser perdoado ou esquecido, mas nenhum dos erros das outras pessoas pode ser mencionado ou lembrado.
É uma balança extremamente cruel.
Eu saí de casa. Virei as costas para tudo. Não sei se fiz a coisa certa. Na realidade, eu tenho quase certeza de que fiz a coisa errada. Mas eu sou apenas humano.
Estou cansado de viver em um mundo onde eu preciso ser onipotente, onisciente e onipresente. Carregar o fardo não somente dos meus erros, mas também dos erros de todos ao redor.
Eu também quero o direito de errar, pelo menos uma vez.
Estou seriamente considerando me matar.
Não sei se vou passar de hoje.
Estou sentado na rua. Não sei o que fazer agora. Não sei o que fazer...

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Preocupações

São 4 e cinco. É mais uma noite sem dormir. Não sei como vou conseguir pagar as contas. Minha esposa não se importa. Ela trabalha, mas gasta mais do que recebe. A vida dela é dedicada a dormir, comer, e a gastar dinheiro. Casamento deveria ser a união de duas pessoas para somar esforços e multiplicar os resultados. Mas meu casamento não multiplica. Ele divide. Eu sinto que ao invés de andar pra frente eu ando pra trás todos os dias. Não consigo dormir, mas amanhã tenho que levantar cedo pra resolver problemas. Não tenho ajuda. Não sei o que fazer. Não acho que conversar resolva. Já foram várias conversas. Ela se acha certa. Sinto apenas desespero.

sábado, 15 de julho de 2023

Eu não aguento mais sentir dor.

São três horas da manhã. Todo mundo na casa está dormindo. Ninguém lê esse blog. De certa forma, isso é libertador. Sinto que é como falar para uma casa vazia. Pode ser que algum vizinho te escute, mas hoje em dia eu não ligo. Todo mundo me odeia. Minha família me odeia, minha esposa me odeia, meus colegas de trabalho me odeiam, minha filha me odeia, eu só tenho dois amigos no mundo, e a única pessoa que iria sentir minha falta se eu morresse ia ser o meu filho. Esse sou eu. Eu não sei porque exatamente as pessoas me odeiam, só sei que elas não querem que eu seja quem eu sou. Ninguém se importa com o que eu penso, com o que eu quero, ou mesmo com o que eu preciso. A única coisa que as pessoas se importam é que eu faça as coisas pra elas. Rápido e sem reclamar. Ah, é... Dor. A dor voltou. Passou por quinze minutos enquanto eu escrevia isso, mas voltou. O teclado do celular não ajuda a escrever rápido. Eu não sei quando a dor começou. Desde que eu me lembro ela sempre esteve aqui. Estava lá quando eu era criança. Uma pontada, como se alguém espetasse o seu cérebro com uma agulha. Eu preciso me concentrar a cada instante pra não sentir a dor. Eu aprendi a me concentrar a cada instante. Cresci assim. Abandonei os sentimentos e as emoções porque sempre que eu deixava alguma emoção fluir, junto com ela vinha a dor. A única coisa que não causava dor era a raiva. Eu não sei o que é essa dor e eu não lembro quando começou, mas eu sei quando começou a ficar pior. Foi quando a minha primeira esposa começou a me torturar psicologicamente. Agia como uma santa na frente das pessoas. Sozinhos, acelerava o carro a altas velocidades e ameaçava jogar contra o poste. Falei com pessoas sobre isso. Ninguém ligou. "Era minha culpa, eu era um mau marido. Tinha que me esforçar mais. Se ela agia assim tinha motivo." Quando eu dei um basta no casamento, a primeira coisa que saiu da boca da minha mãe foi "se você se separar dela como eu vou poder continuar conversando com a mãe dela pelo telefone?" Ela disse que não aceitaria o divórcio se a minha ex-esposa não quisesse. Que me obrigaria a voltar. Que eu deveria suportar o que estava acontecendo. Que eu deveria me esforçar mais como marido. Ninguém, em nenhum momento, virou pra ela e disse "escuta, você já pensou em parar de maltratar o seu marido?" Ninguém cogitou em algum momento a ideia de que ela poderia ter uma parcela de culpa. Três e meia. Escrever no teclado do celular é realmente ruim pra textos longos. A dor diminuiu um pouco. Ela tem piorado pouco a pouco todos esses anos desde então. Cada vez que alguém grita comigo eu sinto... Algo... Rachando? Como as paredes de um prédio ou algo assim. Rachaduras aumentando ou aparecendo novas. Não sei o que isso significa, mas eu sinto que vou morrer disso um dia, se continuar. Não sei explicar mas sinto que isso está me rachando por dentro, e que eu vou estilhaçar como vidro um dia. A dor me leva ao limiar a sanidade. Sinto que ela me enlouquece. Ela me causa depressões fortíssimas, às vezes debilitantes. Tem dias que não consigo andar. Tem dias que meu peito aperta como se alguém estivesse me amassando como massa de pão. Na maior parte dos dias sinto vontade de cortar os meus braços. Não pra cometer suicídio, embora muitas vezes a dor é tanta que eu realmente desejo morrer. Mas pra sentir outra dor. Qualquer coisa que faça eu esquecer essa dor. Hoje em dia ela nunca passa. É como alguém constantemente apertando o meu braço. A minha perna. O meu peito. E se eu perder a concentração a dor piora. Três e quarenta. Não consigo dormir. A dor não me deixa relaxar. A única maneira de dormir é alcançar a exaustão, onde o cansaço vence a dor. A dor não é física, ela não existe. Para todos os fins médicos, o meu corpo é saudável. De fato, provavelmente mais saudável do que a maioria. Mas a dor está aqui e não está e ela não vai embora. Estou cansado de sentir dor. Três e quarenta e cinco. Eu só queria que as pessoas parassem de gritar comigo.