Leandrices de Leandro
quinta-feira, 2 de maio de 2024
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Desde quando isso é amor?
É difícil acreditar quando uma pessoa diz que te ama, mas nunca tem uma palavra positiva ou gentil a dizer para você ou sobre você.
Quando tudo o que você ouve são ofensas, humilhações, desdém... Desde quando isso é amor? Como poderia ser? Não importa o quanto a pessoa insista, palavras nunca valerão mais do que ações.
Estou cansado de ser humilhado, maltratado... Acima de tudo, cansado de ser criticado por ações que as mesmas pessoas cometem, de maneira muito pior e com muito mais frequência. As pessoas ao meu redor exigem de mim tanto a perfeição absoluta quanto a compreensão absoluta.
Não somente nenhum dos meus erros pode ser perdoado ou esquecido, mas nenhum dos erros das outras pessoas pode ser mencionado ou lembrado.
É uma balança extremamente cruel.
Eu saí de casa. Virei as costas para tudo. Não sei se fiz a coisa certa. Na realidade, eu tenho quase certeza de que fiz a coisa errada. Mas eu sou apenas humano.
Estou cansado de viver em um mundo onde eu preciso ser onipotente, onisciente e onipresente. Carregar o fardo não somente dos meus erros, mas também dos erros de todos ao redor.
Eu também quero o direito de errar, pelo menos uma vez.
Estou seriamente considerando me matar.
Não sei se vou passar de hoje.
Estou sentado na rua. Não sei o que fazer agora. Não sei o que fazer...
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Preocupações
São 4 e cinco. É mais uma noite sem dormir. Não sei como vou conseguir pagar as contas. Minha esposa não se importa. Ela trabalha, mas gasta mais do que recebe. A vida dela é dedicada a dormir, comer, e a gastar dinheiro. Casamento deveria ser a união de duas pessoas para somar esforços e multiplicar os resultados. Mas meu casamento não multiplica. Ele divide. Eu sinto que ao invés de andar pra frente eu ando pra trás todos os dias. Não consigo dormir, mas amanhã tenho que levantar cedo pra resolver problemas. Não tenho ajuda. Não sei o que fazer. Não acho que conversar resolva. Já foram várias conversas. Ela se acha certa. Sinto apenas desespero.
sábado, 15 de julho de 2023
Eu não aguento mais sentir dor.
São três horas da manhã. Todo mundo na casa está dormindo. Ninguém lê esse blog. De certa forma, isso é libertador. Sinto que é como falar para uma casa vazia. Pode ser que algum vizinho te escute, mas hoje em dia eu não ligo. Todo mundo me odeia. Minha família me odeia, minha esposa me odeia, meus colegas de trabalho me odeiam, minha filha me odeia, eu só tenho dois amigos no mundo, e a única pessoa que iria sentir minha falta se eu morresse ia ser o meu filho. Esse sou eu. Eu não sei porque exatamente as pessoas me odeiam, só sei que elas não querem que eu seja quem eu sou. Ninguém se importa com o que eu penso, com o que eu quero, ou mesmo com o que eu preciso. A única coisa que as pessoas se importam é que eu faça as coisas pra elas. Rápido e sem reclamar. Ah, é... Dor. A dor voltou. Passou por quinze minutos enquanto eu escrevia isso, mas voltou. O teclado do celular não ajuda a escrever rápido. Eu não sei quando a dor começou. Desde que eu me lembro ela sempre esteve aqui. Estava lá quando eu era criança. Uma pontada, como se alguém espetasse o seu cérebro com uma agulha. Eu preciso me concentrar a cada instante pra não sentir a dor. Eu aprendi a me concentrar a cada instante. Cresci assim. Abandonei os sentimentos e as emoções porque sempre que eu deixava alguma emoção fluir, junto com ela vinha a dor. A única coisa que não causava dor era a raiva. Eu não sei o que é essa dor e eu não lembro quando começou, mas eu sei quando começou a ficar pior. Foi quando a minha primeira esposa começou a me torturar psicologicamente. Agia como uma santa na frente das pessoas. Sozinhos, acelerava o carro a altas velocidades e ameaçava jogar contra o poste. Falei com pessoas sobre isso. Ninguém ligou. "Era minha culpa, eu era um mau marido. Tinha que me esforçar mais. Se ela agia assim tinha motivo." Quando eu dei um basta no casamento, a primeira coisa que saiu da boca da minha mãe foi "se você se separar dela como eu vou poder continuar conversando com a mãe dela pelo telefone?" Ela disse que não aceitaria o divórcio se a minha ex-esposa não quisesse. Que me obrigaria a voltar. Que eu deveria suportar o que estava acontecendo. Que eu deveria me esforçar mais como marido. Ninguém, em nenhum momento, virou pra ela e disse "escuta, você já pensou em parar de maltratar o seu marido?" Ninguém cogitou em algum momento a ideia de que ela poderia ter uma parcela de culpa. Três e meia. Escrever no teclado do celular é realmente ruim pra textos longos. A dor diminuiu um pouco. Ela tem piorado pouco a pouco todos esses anos desde então. Cada vez que alguém grita comigo eu sinto... Algo... Rachando? Como as paredes de um prédio ou algo assim. Rachaduras aumentando ou aparecendo novas. Não sei o que isso significa, mas eu sinto que vou morrer disso um dia, se continuar. Não sei explicar mas sinto que isso está me rachando por dentro, e que eu vou estilhaçar como vidro um dia. A dor me leva ao limiar a sanidade. Sinto que ela me enlouquece. Ela me causa depressões fortíssimas, às vezes debilitantes. Tem dias que não consigo andar. Tem dias que meu peito aperta como se alguém estivesse me amassando como massa de pão. Na maior parte dos dias sinto vontade de cortar os meus braços. Não pra cometer suicídio, embora muitas vezes a dor é tanta que eu realmente desejo morrer. Mas pra sentir outra dor. Qualquer coisa que faça eu esquecer essa dor. Hoje em dia ela nunca passa. É como alguém constantemente apertando o meu braço. A minha perna. O meu peito. E se eu perder a concentração a dor piora. Três e quarenta. Não consigo dormir. A dor não me deixa relaxar. A única maneira de dormir é alcançar a exaustão, onde o cansaço vence a dor. A dor não é física, ela não existe. Para todos os fins médicos, o meu corpo é saudável. De fato, provavelmente mais saudável do que a maioria. Mas a dor está aqui e não está e ela não vai embora. Estou cansado de sentir dor. Três e quarenta e cinco. Eu só queria que as pessoas parassem de gritar comigo.
terça-feira, 20 de junho de 2017
Chapolin Colorado 2099 - Capítulo 4 - Queda Livre, Parte 1
(English version below)
Algumas coisas são sempre notícia, mesmo que aconteçam repetidas vezes. Quedas de aviões, trens descarrilhados, grandes acidentes de trânsito, assaltos a banco. À medida que a tecnologia avança, e sempre avança, o resultado de tais fatalidades pode ser sombrio, certamente. Não importa quantas redundâncias, protocolos de segurança e checagens de manutenção agendadas você tenha disponível para você, às vezes as coisas dão errado, de todas as maneiras certas para que nada disso importe, e o desastre ocorre, e os envolvidos podem fazer pouco além de se perguntar se não há alguém para os defender? Em meados do século 21, as viagens espaciais a lazer se tornaram moda.
"Tinha muitos gritos, pensei que todos íamos morrer, mas então ele saiu de um dos banheiros do avião dizendo 'eu vou' ", disse o passageiro, arrolado como testemunha. "Então, você não sabe se as palavras foram realmente ditas?" perguntou o policial. "Não, tinha muitos gritos, como eu disse. Eu sei que eu não disse.", ele respondeu. "Compreendo, e depois o que aconteceu?", perguntou novamente o policial. "Todos estavam gritando: 'É o Grilo Vermelho!', mas ele voltou para dentro do banheiro", ele respondeu. "Por que?" pressionou o policial. "Para dar a descarga, eu acho", disse ele. "Para dar a descarga? Em um avião espacial, em queda? Ele voltou, para dar a descarga?" perguntou o policial. "Ele fez isso, sim, e depois lavou as mãos", concluiu o homem. "Esta é a coisa mais ridícula que já ouvi neste caso, até agora, e este sendo o caso mais ridículo, de todos os tempos. Vamos recapitular. Você está dizendo que o lendário Grilo Vermelho saiu de um banheiro no meio de um vôo espacial super-seguro, apesar de ninguém ver quando ele entrou no vôo, apesar de todos os passageiros serem contabilizados, toda a tripulação ser contabilizada, e a equipe me assegurar de que os procedimentos de segurança se certificaram de que o avião estava vazio antes de levantar vôo? E então, ele voltou calmamente, deu a descarga, e lavou as mãos. Enquanto o avião estava em queda livre. Esqueci alguma coisa? " disse o policial. "Não sei sobre os procedimentos de segurança, mas sim, é exatamente isso." respondeu o passageiro.
O policial perambulou pela sala, olhando suas notas, vez após vez. "Se o seu testemunho não batesse com o dos outros passageiros, eu diria que você ficou temporariamente insano devido à situação. Então, ou isso é um caso de alucinação coletiva, ou eu tenho uma pessoa com poderes divinos e senso de etiqueta apropriada salvando pessoas aleatórias por aí da morte certa. Tenho certeza de que isso fará o meu trabalho mais interessante daqui pra frente. Você pode descrevê-lo? " perguntou o policial. "Parecia um adolescente, não era muito alto. Camisa vermelha com um grande coração amarelo e jeans azul. Um boné vermelho cobrindo parte do rosto. Tinha duas pequenas antenas anexadas a ele com pequenas bolinhas amarelas. Ele estava carregando um martelo de plástico amarelo." respondeu o passageiro. "Um martelo de plástico amarelo. Incrível. Continuando. Então, o que aconteceu?" pressionou o policial, cansado. "Ele disse: 'não contavam com minha astúcia', fez uma pequena dancinha e uma música tocou nos alto-falantes do avião." respondeu o passageiro. "Isso continua ficando cada vez melhor. Uma música tocou, ok. Que tipo de música?" perguntou o policial. "Clarinetes. Tipo ... Tipo ... Como nos filmes daquela empresa! Mas não a mesma música." disse o passageiro, triunfante. O policial coçou a própria testa ao ouvir isso e, na verdade, não querendo continuar, disse mesmo assim: "E então, o quê?" "E então ele entrou na cabine do piloto", respondeu o passageiro.
------
Some things are always news, even when they happen over and over. Crashing airplanes, runaway trains, big traffic accidents, bank heists. As technology advances, and it always advances, the outcome of such fatalities may be grim, indeed. No matter how many redundancies, safety protocols and scheduled maintenance checkups you have available to you, sometimes things go all wrong all the right ways that make this all void, and disaster ensues, and those involved can do little but wonder if there wasn't anybody to defend them? By the middle of the 21st century, leisure space travel became a thing.
"There was a lot of screaming, I thought we were all going to die, but then he left one of the plane's bathrooms saying 'I will.'", said the passenger, taken as a witness. "So you don't know if the words were actually said?", asked the cop. "No, there was a lot of screaming, as I said. I know I didn't.", he answered. "I see, and then what happened?", asked again the cop. "Everybody was yelling, 'It's the Red Cricket!' but he went back to the bathroom stall.", he answered. "What for?" pressed the cop. "To flush it, I believe.", said him. "To flush it? In a falling spaceplane? He went back in, to flush it?", asked the cop. "He did that, yes, and then washed his hands.", finished the man. "This is the most ridiculous thing I've heard on this case, so far, and this itself being the most ridiculous case, ever. Let's recap. You're saying the fabled Red Cricket exited a bathroom stall in the middle of a super-secure spaceflight, in spite of nobody seeing he enter the flight, in spite of all passengers being accounted for, all crew being accounted for, and the crew assuring me that the security procedures made sure the plane was empty before taking flight. That's it? And then he calmly went back in, flushed it and washed his hands. While the plane was in freefall. Did I miss anything?", went on the cop. "I don't know about security procedures, but yes, that's about it." answered the passenger.
The cop paced around the room, looking at his notes, over and over. "If your account didn't match the other passengers', I'd say you went temporarily insane due to the situation. So I either chalk it up to collective hallucination, or I have a person with godlike powers and proper sense of etiquette going around saving random people from certain death. I'm sure this will make my job more interesting from now on. Can you describe him?" asked the cop. "Looked like a teenager. Not very tall. Red shirt with a big yellow heart on it, and blue jeans. A red cap covering half his face. It had two small antennae attached to it with small yellow balls on them. He was carrying an yellow plastic hammer." answered the passenger. "An yellow plastic hammer. Amazing. Moving on. Then what happened?" pressed the cop, tired. "He said, 'Nobody counted on my wits', did a little jig and a music played on the plane speakers." answered the passenger. "This keeps getting better and better. A music played, ok. What kind of music?" asked the cop. "Clarinets. Like... Like... Like on the movies from that company! But not the same music." said the passenger, triumphantly. The cop face-palmed upon hearing that and, not really wanting to go on, still said "And then what?" "And then he went into the pilot cabin.", answered the passenger.
Algumas coisas são sempre notícia, mesmo que aconteçam repetidas vezes. Quedas de aviões, trens descarrilhados, grandes acidentes de trânsito, assaltos a banco. À medida que a tecnologia avança, e sempre avança, o resultado de tais fatalidades pode ser sombrio, certamente. Não importa quantas redundâncias, protocolos de segurança e checagens de manutenção agendadas você tenha disponível para você, às vezes as coisas dão errado, de todas as maneiras certas para que nada disso importe, e o desastre ocorre, e os envolvidos podem fazer pouco além de se perguntar se não há alguém para os defender? Em meados do século 21, as viagens espaciais a lazer se tornaram moda.
"Tinha muitos gritos, pensei que todos íamos morrer, mas então ele saiu de um dos banheiros do avião dizendo 'eu vou' ", disse o passageiro, arrolado como testemunha. "Então, você não sabe se as palavras foram realmente ditas?" perguntou o policial. "Não, tinha muitos gritos, como eu disse. Eu sei que eu não disse.", ele respondeu. "Compreendo, e depois o que aconteceu?", perguntou novamente o policial. "Todos estavam gritando: 'É o Grilo Vermelho!', mas ele voltou para dentro do banheiro", ele respondeu. "Por que?" pressionou o policial. "Para dar a descarga, eu acho", disse ele. "Para dar a descarga? Em um avião espacial, em queda? Ele voltou, para dar a descarga?" perguntou o policial. "Ele fez isso, sim, e depois lavou as mãos", concluiu o homem. "Esta é a coisa mais ridícula que já ouvi neste caso, até agora, e este sendo o caso mais ridículo, de todos os tempos. Vamos recapitular. Você está dizendo que o lendário Grilo Vermelho saiu de um banheiro no meio de um vôo espacial super-seguro, apesar de ninguém ver quando ele entrou no vôo, apesar de todos os passageiros serem contabilizados, toda a tripulação ser contabilizada, e a equipe me assegurar de que os procedimentos de segurança se certificaram de que o avião estava vazio antes de levantar vôo? E então, ele voltou calmamente, deu a descarga, e lavou as mãos. Enquanto o avião estava em queda livre. Esqueci alguma coisa? " disse o policial. "Não sei sobre os procedimentos de segurança, mas sim, é exatamente isso." respondeu o passageiro.
O policial perambulou pela sala, olhando suas notas, vez após vez. "Se o seu testemunho não batesse com o dos outros passageiros, eu diria que você ficou temporariamente insano devido à situação. Então, ou isso é um caso de alucinação coletiva, ou eu tenho uma pessoa com poderes divinos e senso de etiqueta apropriada salvando pessoas aleatórias por aí da morte certa. Tenho certeza de que isso fará o meu trabalho mais interessante daqui pra frente. Você pode descrevê-lo? " perguntou o policial. "Parecia um adolescente, não era muito alto. Camisa vermelha com um grande coração amarelo e jeans azul. Um boné vermelho cobrindo parte do rosto. Tinha duas pequenas antenas anexadas a ele com pequenas bolinhas amarelas. Ele estava carregando um martelo de plástico amarelo." respondeu o passageiro. "Um martelo de plástico amarelo. Incrível. Continuando. Então, o que aconteceu?" pressionou o policial, cansado. "Ele disse: 'não contavam com minha astúcia', fez uma pequena dancinha e uma música tocou nos alto-falantes do avião." respondeu o passageiro. "Isso continua ficando cada vez melhor. Uma música tocou, ok. Que tipo de música?" perguntou o policial. "Clarinetes. Tipo ... Tipo ... Como nos filmes daquela empresa! Mas não a mesma música." disse o passageiro, triunfante. O policial coçou a própria testa ao ouvir isso e, na verdade, não querendo continuar, disse mesmo assim: "E então, o quê?" "E então ele entrou na cabine do piloto", respondeu o passageiro.
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Some things are always news, even when they happen over and over. Crashing airplanes, runaway trains, big traffic accidents, bank heists. As technology advances, and it always advances, the outcome of such fatalities may be grim, indeed. No matter how many redundancies, safety protocols and scheduled maintenance checkups you have available to you, sometimes things go all wrong all the right ways that make this all void, and disaster ensues, and those involved can do little but wonder if there wasn't anybody to defend them? By the middle of the 21st century, leisure space travel became a thing.
"There was a lot of screaming, I thought we were all going to die, but then he left one of the plane's bathrooms saying 'I will.'", said the passenger, taken as a witness. "So you don't know if the words were actually said?", asked the cop. "No, there was a lot of screaming, as I said. I know I didn't.", he answered. "I see, and then what happened?", asked again the cop. "Everybody was yelling, 'It's the Red Cricket!' but he went back to the bathroom stall.", he answered. "What for?" pressed the cop. "To flush it, I believe.", said him. "To flush it? In a falling spaceplane? He went back in, to flush it?", asked the cop. "He did that, yes, and then washed his hands.", finished the man. "This is the most ridiculous thing I've heard on this case, so far, and this itself being the most ridiculous case, ever. Let's recap. You're saying the fabled Red Cricket exited a bathroom stall in the middle of a super-secure spaceflight, in spite of nobody seeing he enter the flight, in spite of all passengers being accounted for, all crew being accounted for, and the crew assuring me that the security procedures made sure the plane was empty before taking flight. That's it? And then he calmly went back in, flushed it and washed his hands. While the plane was in freefall. Did I miss anything?", went on the cop. "I don't know about security procedures, but yes, that's about it." answered the passenger.
The cop paced around the room, looking at his notes, over and over. "If your account didn't match the other passengers', I'd say you went temporarily insane due to the situation. So I either chalk it up to collective hallucination, or I have a person with godlike powers and proper sense of etiquette going around saving random people from certain death. I'm sure this will make my job more interesting from now on. Can you describe him?" asked the cop. "Looked like a teenager. Not very tall. Red shirt with a big yellow heart on it, and blue jeans. A red cap covering half his face. It had two small antennae attached to it with small yellow balls on them. He was carrying an yellow plastic hammer." answered the passenger. "An yellow plastic hammer. Amazing. Moving on. Then what happened?" pressed the cop, tired. "He said, 'Nobody counted on my wits', did a little jig and a music played on the plane speakers." answered the passenger. "This keeps getting better and better. A music played, ok. What kind of music?" asked the cop. "Clarinets. Like... Like... Like on the movies from that company! But not the same music." said the passenger, triumphantly. The cop face-palmed upon hearing that and, not really wanting to go on, still said "And then what?" "And then he went into the pilot cabin.", answered the passenger.
domingo, 10 de abril de 2016
Chapolin Colorado 2099 - Capítulo 3 - Eu
(English version below)
Em um mundo fora dos trilhos, as pessoas irão se agarrar a qualquer aparência de uma vida normal. De muitas maneiras, mesmo quando os serviços essenciais estão falhando, a vida continua. Muitas áreas podem cair nas mãos de gangues criminosas e sindicatos, mas em algumas, a semelhança do controle do governo ainda vai existir. Aqueles que têm trabalho vão para o trabalho. Os ônibus e trens ainda circulam, se existirem. Policiais ainda vão fazer as suas rondas, prendendo aqueles que ameaçam esses pequenos bolsões de civilização.
"Você estava bêbado até não poder mais, foi o que aconteceu!" Os companheiros de cela riram da cara do novato enquanto contava a eles sua história. "Você falou demais, foi espancado por um cara qualquer em um beco, foi preso e agora está dizendo a todos que você foi preso por um super-herói, mas, por favor, diga-nos mais sobre como você foi preso pelo lendário Grilo Vermelho. Conte tudo de novo."
"É verdade, eu juro. E eu só tinha bebido algumas cervejas. Eu não estava tão bêbado. Eu vi esse idiota sair pela porta dos fundos em direção ao beco com sua mina, ambos tão bêbados que não conseguiam nem andar em linha reta. Pensei que eles eram alvos fáceis, então eu fui atrás deles atrás de algum dinheiro fácil. Eu puxei a faca, e a menina ficou sóbria bem rápido. O cara tentou ensaiar uma luta, mas eu fiz ele botar a janta pra fora com uma sólido golpe no estômago. A menina estava gritando a plenos pulmões por ajuda, e eu juro que não havia ninguém lá, e ninguém iria vir mesmo. Ela disse 'oh, Deus, não há ninguém para me defender?' e então ele estava lá, encostado na parede, boné vermelho cobrindo o rosto, camisa vermelha com um coração amarelo grande e os fones de ouvido vermelhos e amarelos, e ele disse, 'eu vou.' E então ele estava bem na minha cara em um piscar de olhos, me batendo com aquele martelo de plástico. Senti que fui atingido por um caminhão. Eu voei para trás, bati no muro, e acordei aqui."
------
In a world without bearings, people will grasp at any semblance of a normal life. In many ways, even when utilities are failing, life will go on. Many zones may fall in the hands of criminal gangs and syndicates, but in some, a resemblance of government control may still exist. Those who have work will go to work. The buses and trains will still be running, if available. Beat cops will still do their rounds, arresting they who threathen those small pockets of civilization.
"You were drunk out of your mind, that's what happened!" The cellmates laughed at the new guy as he told them his story. "You talked too much, got beaten up by some random guy in an alley, got arrested and now you're telling everyone you were arrested by a superhero but, please, tell us more about how you were arrested by the legendary Red Cricket. From the start, if you will."
"It's true, I swear. And I only had a few beers. I was not that drunk. I saw this twerp walking out the back door into the alley with his girl, both so drunk they couldn't even walk straight. I thought they were easy marks, so I went after them after some quick cash. I pulled the knife out, but the girl sobbered up real quick. The guy tried to put up a fight, but I knocked the wind outta him with a solid one on the stomach. The girl was screaming her lungs out for help, and I swear that there was nobody there, and nobody was coming. She said 'oh, God, is there nobody to defend me?' and then he was there, leaning on the wall, red cap covering his face, red shirt with a big yellow heart and the red and yellow earpieces, and he said, 'I will.' And then he was right in my face in a blink hitting me with that plastic hammer, but it felt like I was hit by a truck. I flew back, hit the wall, and woke up here."
Em um mundo fora dos trilhos, as pessoas irão se agarrar a qualquer aparência de uma vida normal. De muitas maneiras, mesmo quando os serviços essenciais estão falhando, a vida continua. Muitas áreas podem cair nas mãos de gangues criminosas e sindicatos, mas em algumas, a semelhança do controle do governo ainda vai existir. Aqueles que têm trabalho vão para o trabalho. Os ônibus e trens ainda circulam, se existirem. Policiais ainda vão fazer as suas rondas, prendendo aqueles que ameaçam esses pequenos bolsões de civilização.
"Você estava bêbado até não poder mais, foi o que aconteceu!" Os companheiros de cela riram da cara do novato enquanto contava a eles sua história. "Você falou demais, foi espancado por um cara qualquer em um beco, foi preso e agora está dizendo a todos que você foi preso por um super-herói, mas, por favor, diga-nos mais sobre como você foi preso pelo lendário Grilo Vermelho. Conte tudo de novo."
"É verdade, eu juro. E eu só tinha bebido algumas cervejas. Eu não estava tão bêbado. Eu vi esse idiota sair pela porta dos fundos em direção ao beco com sua mina, ambos tão bêbados que não conseguiam nem andar em linha reta. Pensei que eles eram alvos fáceis, então eu fui atrás deles atrás de algum dinheiro fácil. Eu puxei a faca, e a menina ficou sóbria bem rápido. O cara tentou ensaiar uma luta, mas eu fiz ele botar a janta pra fora com uma sólido golpe no estômago. A menina estava gritando a plenos pulmões por ajuda, e eu juro que não havia ninguém lá, e ninguém iria vir mesmo. Ela disse 'oh, Deus, não há ninguém para me defender?' e então ele estava lá, encostado na parede, boné vermelho cobrindo o rosto, camisa vermelha com um coração amarelo grande e os fones de ouvido vermelhos e amarelos, e ele disse, 'eu vou.' E então ele estava bem na minha cara em um piscar de olhos, me batendo com aquele martelo de plástico. Senti que fui atingido por um caminhão. Eu voei para trás, bati no muro, e acordei aqui."
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In a world without bearings, people will grasp at any semblance of a normal life. In many ways, even when utilities are failing, life will go on. Many zones may fall in the hands of criminal gangs and syndicates, but in some, a resemblance of government control may still exist. Those who have work will go to work. The buses and trains will still be running, if available. Beat cops will still do their rounds, arresting they who threathen those small pockets of civilization.
"You were drunk out of your mind, that's what happened!" The cellmates laughed at the new guy as he told them his story. "You talked too much, got beaten up by some random guy in an alley, got arrested and now you're telling everyone you were arrested by a superhero but, please, tell us more about how you were arrested by the legendary Red Cricket. From the start, if you will."
"It's true, I swear. And I only had a few beers. I was not that drunk. I saw this twerp walking out the back door into the alley with his girl, both so drunk they couldn't even walk straight. I thought they were easy marks, so I went after them after some quick cash. I pulled the knife out, but the girl sobbered up real quick. The guy tried to put up a fight, but I knocked the wind outta him with a solid one on the stomach. The girl was screaming her lungs out for help, and I swear that there was nobody there, and nobody was coming. She said 'oh, God, is there nobody to defend me?' and then he was there, leaning on the wall, red cap covering his face, red shirt with a big yellow heart and the red and yellow earpieces, and he said, 'I will.' And then he was right in my face in a blink hitting me with that plastic hammer, but it felt like I was hit by a truck. I flew back, hit the wall, and woke up here."
sábado, 2 de abril de 2016
Chapolin Colorado 2099 - Capítulo 2 - A Primeira Testemunha
(English version below)
Talvez eu tenha mencionado que os deuses são moldados pela fé. Acreditava-se que os raios de Zeus atingiam seus alvos com a força de uma bomba atômica. O martelo de Thor Mjölnir não podia ser levantado por aqueles indignos de seu poder. E as armas mais poderosas do mundo podem muito bem ser um boné vermelho, alguns fones de ouvido e um martelo de plástico.
Os tempos mudam, mas algumas coisas nunca mudam. Noites de sexta-feira serão sempre noites de sexta-feira, enquanto existirem dias de semana e fins de semana, mesmo quando esses não acontecem às sextas-feiras. Um guarda de segurança estava se gabando com os seus amigos, que estavam falando sobre teorias da conspiração e lendas urbanas entre uma cerveja ou dez, "É verdade, eu juro! Eu poderia jurar sobre o túmulo de minha mãe. Ele era completamente comum, sabe? Apenas um menino com um boné e camisa vermelhos andando por aí. Desde que o Exército Popular da América assumiu uma grande parte da América Central e estabeleceu a União Americana, pessoas andando por aí com roupas vermelhas são um centavo uma dúzia. Você simplesmente não presta mais atenção depois de um tempo. Ele estava andando, e tropeçou em alguma coisa, a desenterrou, tirou o pó do martelo amarelo e foi embora normalmente. Eu esqueci completamente sobre ele até as histórias começarem a aparecer. Centenas de pessoas atravessam este lugar todos os dias e ninguém reparou nesse martelo. Eu estou aqui todos os dias, andei esse chão por anos, e eu nunca vi esse martelo. As pessoas dizem que o martelo o escolheu. Que era para ser assim. Eu não sei, mas as histórias são verdadeiras, tenho certeza disso. E foi assim que tudo começou ".
-----
I may have mentioned that gods are shaped by faith. Zeus' lightning bolts were believed to hit their targets with the power of an atomic bomb. Thor's hammer mjölnir could not be lifted by those unworthy of its power. And the most powerful weapons in the world may very well be a red cap, some earpieces and a plastic hammer.
Times may change, but some things never change. Friday nights will always be Friday nights, for as long as there are workdays and weekends, even when those don't happen on Fridays any longer. A security guard was boasting among his friends, who were talking about conspiracy theories and urban legends over a beer or ten, "It's true, I promise! I could swear on my mother's grave. He was completely undescript, you know? Just a boy with a red cap and shirt walking around. Since the America's People Army took over a great portion of Central America and established the American Union, people walking around with red clothes are a dime a dozen. You just don't pay attention anymore after a while. He was walking around, and stumbled on something, unearthed it, dusted the yellow hammer and went his merry way. I totally forgot about it until the stories start to go 'round. Hundreds of people cross this place every day and nobody noticed that hammer. I'm here every day, walked that ground for years, and I have never seen that hammer. People say that the hammer choose him. That it was meant to be. I don't know, but the stories are true, I am sure of it. And that's how it all started."
Talvez eu tenha mencionado que os deuses são moldados pela fé. Acreditava-se que os raios de Zeus atingiam seus alvos com a força de uma bomba atômica. O martelo de Thor Mjölnir não podia ser levantado por aqueles indignos de seu poder. E as armas mais poderosas do mundo podem muito bem ser um boné vermelho, alguns fones de ouvido e um martelo de plástico.
Os tempos mudam, mas algumas coisas nunca mudam. Noites de sexta-feira serão sempre noites de sexta-feira, enquanto existirem dias de semana e fins de semana, mesmo quando esses não acontecem às sextas-feiras. Um guarda de segurança estava se gabando com os seus amigos, que estavam falando sobre teorias da conspiração e lendas urbanas entre uma cerveja ou dez, "É verdade, eu juro! Eu poderia jurar sobre o túmulo de minha mãe. Ele era completamente comum, sabe? Apenas um menino com um boné e camisa vermelhos andando por aí. Desde que o Exército Popular da América assumiu uma grande parte da América Central e estabeleceu a União Americana, pessoas andando por aí com roupas vermelhas são um centavo uma dúzia. Você simplesmente não presta mais atenção depois de um tempo. Ele estava andando, e tropeçou em alguma coisa, a desenterrou, tirou o pó do martelo amarelo e foi embora normalmente. Eu esqueci completamente sobre ele até as histórias começarem a aparecer. Centenas de pessoas atravessam este lugar todos os dias e ninguém reparou nesse martelo. Eu estou aqui todos os dias, andei esse chão por anos, e eu nunca vi esse martelo. As pessoas dizem que o martelo o escolheu. Que era para ser assim. Eu não sei, mas as histórias são verdadeiras, tenho certeza disso. E foi assim que tudo começou ".
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I may have mentioned that gods are shaped by faith. Zeus' lightning bolts were believed to hit their targets with the power of an atomic bomb. Thor's hammer mjölnir could not be lifted by those unworthy of its power. And the most powerful weapons in the world may very well be a red cap, some earpieces and a plastic hammer.
Times may change, but some things never change. Friday nights will always be Friday nights, for as long as there are workdays and weekends, even when those don't happen on Fridays any longer. A security guard was boasting among his friends, who were talking about conspiracy theories and urban legends over a beer or ten, "It's true, I promise! I could swear on my mother's grave. He was completely undescript, you know? Just a boy with a red cap and shirt walking around. Since the America's People Army took over a great portion of Central America and established the American Union, people walking around with red clothes are a dime a dozen. You just don't pay attention anymore after a while. He was walking around, and stumbled on something, unearthed it, dusted the yellow hammer and went his merry way. I totally forgot about it until the stories start to go 'round. Hundreds of people cross this place every day and nobody noticed that hammer. I'm here every day, walked that ground for years, and I have never seen that hammer. People say that the hammer choose him. That it was meant to be. I don't know, but the stories are true, I am sure of it. And that's how it all started."
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